A jornada da Blockchain

 

Após quase 10 anos da publicação do “Bitcoin White Paper”, por Satoshi Nakamoto, a tecnologia que suporta a criptomoeda está cada vez mais em evidência, acelerando a evolução tecnológica do seu protocolo e da criação de diversos outros frameworks que mantém os princípios cruciais da blockchain, a imutabilidade da informação, consenso automatizado entre os membros da plataforma, além da rastreabilidade dos dados. Estas são características que apoiam na resolução de diversos outros problemas em diferentes setores da indústrias, sem necessariamente envolver criptomoedas, como saúde, serviços públicos,  cadeia de suprimentos, varejo, meios de pagamento e outros serviços financeiros.

É fato que a hype das criptomoedas foi um dos principais catalisadores da popularização da tecnologia P2P, potencializado com o surgimento de novas plataformas de blockchain públicas como Ethereum, que ao desacoplar as funções da estrutura da blockchain da estrutura de criação dos smart contracts, acelerou a criação de novos mercados online baseados em transações totalmente automatizadas.

Tal estrutura foi a base para diversos ICOs (Initial Coin Offerings) que atraíram milhões de interessados em diferentes plataformas ofertadas via Ethereum, consequentemente elevando a cotação do ether, criptomoeda base da plataforma e atualmente uma das mais valorizadas. A concentração de altos valores financeiros em uma estrutura de acesso público, atraiu a atenção não só em interessados na plataforma como habilitadora de novos mercados, mas também interessados em aproveitar possíveis brechas nessa estrutura para desvio das criptomoedas, de formas não originalmente planejadas ou previstas pelos autores dos smart contracts. Um dos caso mais famosos foi o ataque conhecido no “THE DAO”, que movimentou algumas dezenas de milhões de dólares do fundo para uma outra carteira através de uma brecha no design do smart contract.

Esse cenário, além de degradar a reputação da plataforma e prejudicar diversos participantes do fundo, levou ao rompimento da comunidade e consequentemente a um HARD FORK do Ethereum, assunto esse para um outro artigo. Apenas para reforçar, a brecha explorada para o desvio não foi na estrutura do Ethereum e sim em uma fragilidade do smart contract projetado pelo grupo.

Para equilibrar todos os benefícios de uma estrutura de blockchain (como rastreabilidade e imutabilidade das informações, além do consenso automatizado) contra os riscos de expor um smart contract em uma estrutura pública, as plataformas de blockchain privadas começaram a ganhar força, com destaque à Hyperledger, projeto de código aberto da Linux Foundation utilizado como base para soluções de Blockchain-as-a-Service (BaaS) de diversos provedores, entre eles IBM e Oracle. Outro projeto com destaque é o R3 Corda, composto por um consórcio de instituições financeiras.

As blockchains privadas, também conhecidas por DLTs (Distributed Ledger Technology), permitiram a adoção de plataformas com segurança gerenciadas, habilitando aos mantenedores da plataforma conceder ou não acesso aos participantes, além de uma maior capacidade de processamento e melhor tempo de resposta para as transações, já que os peers responsáveis pelo consenso dos dados podem ser restringidos, inclusive aplicando distintos algoritmos de consenso, evitando o conhecido POW (Proof of Work) utilizado pela blockchain da Bitcoin, responsável por um elevado consumo de recursos computacionais, energia além do alto tempo para confirmação de uma transação, características do modelo de mineração.

Diversos segmentos de mercado estão adotando soluções de blockchain privada, principalmente para acelerar soluções de rastreabilidade e redução de intermediários nos mais distintos modelos de negócio. Em conjunto com IoT (Internet of Things) , as plataformas de blockchain têm a capacidade não só de acelerar o modelo de ofertas e serviços conhecidos atualmente, mas também de criar inúmeros novos mercados, com menos intermediadores e serviços automatizados base inclusive para a concepção de diversos projetos de cidades inteligentes mundo afora.

 

Autor: Thiago Azevedo